Se você usa o Kiro CLI e ainda não explorou o sistema de skills, está deixando poder na mesa. Skills são como “módulos de conhecimento especializado” que o Kiro carrega sob demanda — ele sabe quando ativar cada uma com base no que você pede. Neste artigo, compartilho as 8 skills que fazem parte do meu setup diário como SRE.
O que são Skills no Kiro?
Skills ficam em ~/.kiro/skills/ e cada uma tem um arquivo SKILL.md com instruções, exemplos e referências. O Kiro lê a descrição de cada skill e decide automaticamente quando ativá-la. Você não precisa chamar nada manualmente — basta pedir o que precisa.
As 8 Skills do meu Setup
1. GSD (Get Shit Done)
A skill mais completa do meu arsenal. É um sistema de desenvolvimento orientado a specs com gerenciamento de contexto entre sessões. Resolve o problema clássico de “perder o fio da meada” em projetos longos.
O workflow é simples:
gsd:new-project— inicializa o projeto com requisitos e roadmapgsd:plan-phase N— planeja uma fase com tarefas detalhadasgsd:execute-phase N— executa tarefa por tarefagsd:verify-work N— valida com o usuário
Tudo fica em .planning/ na raiz do projeto: estado, decisões, planos e resumos. Quando você abre uma sessão nova, o Kiro lê o STATE.md e sabe exatamente onde parou.
2. Systematic Debugging
Essa skill impõe uma regra de ferro: nenhum fix sem investigação de root cause primeiro. Parece óbvio, mas na pressão de um incidente, a tentação de “só tentar trocar isso aqui” é real.
O processo tem 4 fases:
- Investigação — ler erros, reproduzir, checar mudanças recentes
- Análise de padrão — comparar com código que funciona
- Hipótese e teste — uma mudança por vez, método científico
- Implementação — fix no root cause, não no sintoma
Se depois de 3 tentativas o fix não funcionar, a skill manda parar e questionar a arquitetura. Já me salvou de horas de thrashing.
3. MCP Builder
Guia para criar servidores MCP (Model Context Protocol) — o protocolo que permite ao Kiro se conectar com serviços externos via ferramentas customizadas. Uso bastante porque mantenho integrações com Zabbix e GLPI via MCP.
A skill cobre desde o planejamento da API até a criação de evaluations para testar se o LLM consegue usar as ferramentas corretamente. Recomenda TypeScript como stack principal, mas tem guia completo para Python também.
4. File Search
Busca inteligente em codebases usando duas ferramentas:
- ripgrep (rg) — busca textual ultrarrápida com regex
- ast-grep (sg) — busca estrutural que entende a sintaxe do código
A diferença é importante: rg "function" encontra a palavra “function” em qualquer lugar. sg --pattern 'function $NAME($$$) { $$$ }' --lang js encontra declarações de função reais, ignorando comentários e strings.
A skill ensina a estratégia certa: começar com buscas específicas, contar resultados antes de exibir, e refinar progressivamente.
5. Skill Creator
Meta-skill: serve para criar, testar e otimizar outras skills. Tem um workflow completo com evaluations, benchmark quantitativo e otimização de descrição para melhorar o triggering automático.
O loop é: escrever draft → rodar testes → revisar com o usuário → melhorar → repetir. Inclui até comparação cega entre versões para avaliar qual é melhor sem viés.
6. Claude API
Referência completa para desenvolver com a API do Claude e os SDKs da Anthropic. Cobre desde chamadas simples até agentes com ferramentas customizadas.
O que mais uso:
- Padrões de tool use para automações
- Streaming para interfaces interativas
- Batch processing para tarefas em volume
A skill detecta automaticamente a linguagem do projeto e carrega os exemplos corretos.
7. Internal Comms
Ajuda a escrever comunicações internas no formato que a empresa usa. Tem templates para:
- Updates 3P (Progress, Plans, Problems)
- Relatórios de incidente
- Status reports
- Newsletters internas
Como SRE, uso principalmente para post-mortems e comunicações de incidente. A skill garante que o formato e o tom estejam consistentes.
8. Webapp Testing
Toolkit para testar aplicações web com Playwright. Inclui um helper (with_server.py) que gerencia o ciclo de vida do servidor automaticamente.
O padrão que a skill ensina é “reconhecimento primeiro, ação depois”:
- Navegar e esperar o carregamento completo
- Tirar screenshot ou inspecionar o DOM
- Identificar seletores do estado renderizado
- Executar ações com os seletores descobertos
Útil para validar deploys e testar funcionalidades de frontend sem sair do terminal.
Como Instalar Skills
Skills são pastas com um SKILL.md dentro de ~/.kiro/skills/:
Algumas skills vêm com recursos adicionais em subpastas como references/, scripts/ e assets/. O Kiro carrega o SKILL.md quando a skill é ativada e lê os recursos adicionais sob demanda.
Conclusão
O sistema de skills transforma o Kiro de um assistente genérico em uma ferramenta especializada. Cada skill adiciona conhecimento profundo sobre um domínio específico, e o triggering automático significa que você não precisa lembrar qual skill usar — basta trabalhar normalmente.
Se você está começando, recomendo instalar primeiro o Systematic Debugging e o File Search. São as mais universais e vão melhorar seu workflow imediatamente, independente do tipo de projeto.